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Alves Redol

"A luz do luar beliscando o dorso do Tejo põe-lhes trevas nas retinas."

* extraído de Gaibéus

Alves Redol

"Parece que as suas gargalhadas não irrompem francas - têm o desejo oculto de esconder pesares."

* extraído de Gaibéus

Alves Redol

"Vinha aí a maré alta. Ele desconhecia ainda que a vida dos homens é um rio com marés, um rio com fluxos e refluxos que um dia o havia de trazer para a luz. E as águas não se aquietariam nunca, porque então não seria de rio, mas de charco. A vida nunca é charco."

* extraído de Gaibéus

Alves Redol

"E o passado era triste - mais triste que o badalar de um chocalho vindo de longe.
Ambições naufragadas, restos de alegrias e desditas, de que tinha vaga recordação. O presente era amargo, tão doloroso como o passado. 
Mas ali, naquele silêncio, guardava sonhos de criança, como se nunca tivesse entrado na vida e ainda a julgasse uma floresta de frutos de oiro."

* extraído de Gaibéus

Alves Redol

"O ar não se respira - mastiga-se. O arfar dos peitos torna-se agora mais penoso. As bocas ficam mais sedentas - talvez a sua sede não seja agora só de água."

* extraído de Gaibéus

Alves Redol

"Os olhos dele estavam nos seus e parecia que os sorviam, misturando-se. Sentia-os confundirem-se e ficarem gêmeos. E os olhos dele já não eram castanhos, cor de fogo quase. Tinham laivos azuis emprestados pelos seus olhos claros. Depois os olhos eram só azuis, azuis como os seus. E aos seus sentia-os castanhos, cor de fogo, quase, ardendo numa fogueira que lhe afogueava o rosto e esbraseava o peito."

* extraído de Gaibéus