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Guimarães Rosa


"Devia ou não devia contar-lhe, por motivos de talvez. Do que digo, descubro, deduzo. Será, se? Apalpo 
o evidente? Tresbusco. Será este nosso desengonço  e mundo o plano — intersecção de planos — onde se 
completam de fazer as almas?"

* extraído do conto O espelho

Guimarães Rosa

"Soube-o: os olhos da gente não têm fim."

* extraído do conto O espelho

Guimarães Rosa


"Os olhos, por enquanto, são a porta do engano; duvide deles, dos seus, não de mim. Ah, meu amigo, a espécie humana peleja para impor ao latejante mundo um pouco de rotina e lógica, mas algo ou alguém de tudo faz frincha para rir-se da gente... E então?"

* extraído do conto O espelho

Guimarães Rosa


"Tudo, aliás, é a ponta de um mistério. Inclusive, os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo."

* extraído do conto O espelho

Guimarães Rosa

"Olhe: o que devia de haver, era de se reunirem-se os sábios, políticos, constituições gradas, fecharem o definitivo a noção – proclamar por uma vez, artes assembléias, que não tem diabo nenhum, não existe,não pode. Valor de lei! Só assim, davam tranqüilidade boa à gente. Por que o Governo não cuida?!"


* extraído de Grande Sertão: Veredas

Guimarães Rosa

"Explico ao senhor: o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem – ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos. Solto, por si, cidadão, é que não tem diabo nenhum. Nenhum! – é o que digo."


* extraído de Grande Sertão: Veredas

Guimarães Rosa

"Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão

ou pães, é questão de opiniães..."


* extraído de Grande Sertão: Veredas

Guimarães Rosa

"Conversávamos, agora. Ela apreciava o casacão da noite. - "Cheiinhas!" - olhava as estrelas, deléveis, sobre-humanas. Chamava-as de "estrelinhas pia-pia". Repetia: - "Tudo nascendo!" - essa sua exclamação dileta, em muitas ocasiões, com o deferir de um sorriso. E o ar. Dizia que o ar estava com cheiro de lembrança. - "A gente não vê quando o vento se acaba..." Estava no quintal, vestidinha de amarelo. O que falava, às vezes era comum, a gente é que ouvia exagerado: - "Alturas de urubuir..." Não, dissera só: - "... altura de urubu não ir."O dedinho chegava quase no céu. Lembrou-se de: - "Jabuticaba de vem-me-ver..." Suspirava, depois: - "Eu quero ir para lá." - Aonde? - "Não sei." Aí, observou: - "O passarinho desapareceu de cantar..." De fato, o passarinho tinha estado cantando, e, no escorregar do tempo, eu pensava que não estivesse ouvindo; agora, ele se interrompera. Eu disse: - "A Avezinha". De por diante, Nhinhinha passou a chamar o sabiá de "Senhora Vizinha..." E tinha respostas mais longas: - "Eeu? Tou fazendo saudade." Outra hora, falava de parentes já mortos, ela riu: - "Vou visitar eles..." Ralhei, dei conselhos, disse que ela estava com a lua. Olhou-me, zombaz, seus olhos muito perspectivos: - "Ele te xurugou?" Nunca mais vi Nhinhinha."

* extraído do conto A menina de lá, em Primeiras Estórias

Guimarães Rosa

"A vida podia às vezes raiar numa verdade extraordinária."


* extraído do conto As margens da alegria, em Primeiras Estórias

Guimarães Rosa

"Tudo perdia a eternidade e a certeza; num lufo, num átimo, da gente as mais belas coisas se roubavam."

* extraído do conto As margens da alegria, em Primeiras Estórias