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Caio Fernando Abreu

“Fazia muito tempo que eu não tinha vontade de sorrir para nada nem para ninguém, então era extraordinário que ele conseguisse perturbar assim os cantos de meus lábios, fazendo com que eles se movimentassem duramente, numa tentativa de se abrirem.”

* extraído do O ovo apunhalado

Caio Fernando Abreu

“ (...) e eu me debruço na janela, eu sou muito jovem, eu acredito, eu sou quase um menino que se debruça na janela e olha para esses jasmins pálidos e frios e entontece aos poucos com o perfume doce e olha para a lua, porque havia uma lua quase sempre cheia naquele tempo, e pergunta em espanto o que vai ser dele, que durezas ou doçuras lhe trará essa coisa que ainda não tocou com suas próprias mãos e que chamam de vida (...) ”

Caio Fernando Abreu

“Seria sem sentido chorar, então chorei enquanto a chuva caía porque estava tão sozinho que o melhor a ser feito era qualquer coisa sem sentido.”

* extraído de O ovo apunhalado

Caio Fernando Abreu

“ – O que há em ti que não compreendo?

- O que há em mim e não compreendes é o mesmo que há em ti, e tampouco compreendes.”


* extraído de O ovo apunhalado

Caio Fernando Abreu

“ (...) descobria no mesmo instante que o medo era matéria de sobrevivência, como o eram todas as coisas, mesmo as esperas frustradas e as inúmeras sedes e os espantos e pequenas descobertas que em si nada significam mas que juntas formavam lentamente camadas superpostas e densas demais, sim, as densidades insuspeitadas e as estrelas cadentes e a queda de estrelas e a cadência dos passos todas as manhãs a aspirar a maresia e atravessar a praça e muitas coisas e todas as coisas (...)”

* extraído de O ovo apunhalado

Caio Fernando Abreu

“Encarar sem emoção a perdição alheia e a própria perdição, porque não havia distinções nem individualidades: eram todos o mesmo grande e triste monstro humano, uma única cabeça, tronco, membros.”

* extraído de O ovo apunhalado

Caio Fernando Abreu


“Foi quando eu senti, mais uma vez, que amar não tem remédio.”

* extraído de O ovo apunhalado


Caio Fernando Abreu

“ (...) não tem importância que você não compreenda isso, porque estou acostumado com a incompreensão alheia, com a minha própria incompreensão, mais do que tudo.”

* extraído de O ovo apunhalado

Caio Fernando Abreu

“ (...) e também essa coisa que chamamos saudade e que é preciso alimentar com pequenos rituais para que a memória não se desfaça como uma velha tapeçaria exposta ao vento.”

* extraído de O ovo apunhalado

Caio Fernando Abreu

“ (...) quando se quer explicar o inexplicável sempre se fica um pouco piegas.”

* extraído de O ovo apunhalado