"E quando me perguntas como é possível que tenha passado 'bem' o sábado com esse temor na alma, não é difícil responder. Pelo fato de amar-te (e é evidente que te amo, oh tolinha, assim como ama o mar a uma pedrinha diminuta no seu fundo, exatamente assim te cobre o meu amor - e oxalá possa ser a teu lado também a pedrinha, assim o céu o permita), amo ao mundo inteiro, o que inclui teu ombro esquerdo, não, primeiro foi ao direito, portanto o beijo quando se me ocorre (e quando tens a amabilidade de despir a blusa), e também inclui o ombro esquerdo e teu rosto sobre mim no bosque e teu rosto debaixo de mim no bosque e o repousar sobre teu peito quase desnudo. E por isso tens razão ao dizer que já uma vez fomos um, e nesse sentido não sinto nenhum temor, não, antes é minha única felicidade e meu único orgulho e não o restrinjo unicamente ao bosque, de modo algum."
* extraído de Cartas a Milena
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Milan Kundera
“Lembrou-se do célebre mito do Banquete, de Platão: antigamente, os seres humanos eram hermafroditas, até que Deus os separou em duas metades, que, a partir daí, erram pelo mundo e se procuram. O amor é o desejo dessa metade perdida de nós mesmos. Admitamos que seja assim; cada um de nós tem em alguma parte do mundo um parceiro com o qual outrora formava um só corpo.”
* extraído de A insustentável leveza do ser

Milan Kundera
“Olhava as paredes sujas do pátio e compreendia que não saberia definir se era histeria ou amor.”
* extraído de A insustentável leveza do ser
Caio Fernando Abreu
“Foi quando eu senti, mais uma vez, que amar não tem remédio.”
* extraído de O ovo apunhalado

Nuno Ramos
" (...) abraçamos o que foge de nós, invertemos seu próprio desgosto e recusa, julgamos como perfeita a natureza envergonhada e defeituosa, aderimos, enfim, perdidamente e para sempre ao que parece belo, porque nos conformamos ao amar."
* extraído de O pão do corvo

